"Tem de se cuidar da alma acima de tudo. E tem de se cuidar do mundo apesar de tudo. Acontece que não são compatíveis. Excluem-se, dilaceram-nos, vão dando cabo de nós. Não fazer caso seria o único descanso mas não conseguimos deixar de reparar. Quando começámos já era assim e o que deixarmos para os outros assim será.(..)Acontece mesmo assim. Mas porquê assim? Não encontramos qualquer razão em particular. Trazemos conosco um pequeno defeito e um pequeno excesso, isso sim, e não de coisas diferentes mas do mesmo e é tudo. Nada que se aponte em particular.Pois é, se procuramos encontrar o que quer que seja, saímos de nós e descentrados, logo nos desequilibramos. O impulso que nos serve para ganhar balanço é o mesmo que nos faz cair quando queremos estacar. O entusiasmo, aliás, não é mais do que uma breve supensão no movimento da queda. Por demais estranhos somos nós. Como tudo o que ousou levantar-se. Por demais iguais, aguardando, por mais que nos enganemos, a vida na outra vida que não esta.Não sabemos como procurar, nem onde encontrar, nem, afinal, sabemos o que procurar. Somos assim, tão perdidos, que nos agarramos sem sequer poder tocar."
Pedro Paixão
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